sexta-feira, 20 de março de 2015

Liberalismo, poder e capitalismo selvagem: Eike Batista e o Barão de Mauá.


Liberalismo, poder e capitalismo selvagem: 
Eike Batista e o Barão de Mauá.
- "O melhor programa econômico de governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem"- quem dise isto foi o Barão e Visconde de Mauá, importante industrial, banqueiro e político brasileiro do século XIX. Recebeu o título de Barão em 1854 e o de Visconde de Mauá em 1874. Morreu em Petrópolis, Rio de Janeiro, em 1889, aos 75 anos de idade.

Após viajar à Inglaterra, em 1840, concluiu que o Brasil precisava de capital para investir na industrialização. E decidiu avançar atrás do progresso: edificou os estaleiros da Companhia Ponta da Areia, construiu em 1846 a indústria náutica brasileira, que se estabeleceu no Rio de Janeiro, em Niterói. Em só um ano já possuía a maior indústria do país, colocando no mercado de trabalho mais de mil operários, fabricando caldeiras para máquinas a vapor, investindo em engenhos de açúcar, guindastes, prensas, armas e tubos para encanamento de água.

Nas batalhas platinas contra Oribe, Rosas e López, a Companhia Ponta da Areia, do Barão de Mauá, forneceu os navios e canhões da guerra. Dali em diante, o Barão se dedicou a duas atividades potenciais: a de industrial e a de banqueiro.

Foi todo um precursor na área dos serviços públicos, implantou os primeiros cabos telegráficos submarinos, conectando o Brasil à Europa.
Em 1850, o então visconde inaugurou o Banco Mauá, MaCGregor & Cia, com filiais nas capitais brasileiras, e em Londres, Nova Iorque, Buenos Aires e Montevidéu.

Liberal e abolicionista oposto à Guerra do Paraguai, concedeu os recursos financeiros para a defesa de Montevidéu quando a cidade ficou acuada pelas tropas imperiais que intervieram em 1850 nas questão do Prata. Essas atitudes contra o governo, acabaram por transformá-lo em pessoa não grata para o Império.

Então, suas fábricas foram sabotadas por meio de ações criminosas sem a menor cautela, por parte dos capangas do governo, e suas transações comerciais foram atingidas pela lei, que passou a cobrar taxas exorbitantes sobre as importações. Em 1875, sofreu um duro golpe, com a falência do Banco Mauá, e foi obrigado a vender a maior parte de suas empresas a capitalistas do exterior.
De cabeça erguida, encerrou a sua vida de mega-empreendedor, e se retirou da vida de industrial, terminando seus dias sem patrimônio, mas com dignidade e fidelidade às suas convicções.


Já o Eike Batista também foi o homem mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada em US$ 30 bilhões, e queria se tornar o mais rico do mundo até 2015.
Mas o sonho acabou em 2013, quando perdeu a coroa brasileira para o Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev e o Burger King. Eike ficou como o maior perdedor do ano, segundo a "Forbes", com perdas de US$ 2 milhões por hora. 

As empresas "X", do grupo de Eike, deixaram de cumprir programas e atingir suas metas. Os resultados ruins e o pessimismo em relação ao grupo preocuparam investidores, e as ações cairam na Bolsa. O patrimônio do Eike começou a encolher em 2012.
O grupo EBX assinou acordo com o banco BTG Pactual, em 2013, para recuperar a credibilidade no mercado financeiro. A parceria não foi suficiente.

Os negócios de Eike pioraram em julho de 2013. A petroleira OGX, a mais importante do império do bilionário, anunciou que pararia com o desenvolvimento de algumas áreas na bacia de Campos, consideradas promissoras.

As agências de risco rebaixaram a OGX para níveis próximos à situação de calote. Os bancos baixaram sua expectativa de preço para a ação, chegando ao valor de R$ 0,10 em um ano.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) decidiu investigar se houve falhas na divulgação de informações ao mercado.
Em outubro de 2013, a OGX confirmou o calote de US$ 44,5 milhões a credores estrangeiros. Foi o "fim de uma era" segundo a mídia internacional.
Em 2013, Eike ficou fora do ranking dos 15 mais ricos do país da "Forbes Brasil" e a "Forbes" internacional calculou que ele havia deixado de ser bilionário com fortuna estimada em US$ 900 milhões.

Hoje, o ex-bilionário tem patrimônio líquido negativo de US$ 1 bilhão, e desfez vários negócios ficando minoritário nas empresas que criou.

Javier Villanueva. São Paulo, 7 de fevereiro de 2015.

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