terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Mas que droga, senador Cristovam Buarque!



Tomado da página do F.B. do Senador Cristovam Buarque:

"Fui indicado pela presidência da CDH - Comissão de Direitos Humanos, para relatar proposta de iniciativa popular que visa legalizar o uso de maconha. Embora seja um tema no qual sou leigo, não vou fugir da indicação, temendo a polêmica em torno dela. Vou aprofundar o assunto através de audiências públicas e debates, inclusive aqui. Só me recusaria se o tema fosse irrelevante, mas ele é relevante. Quero analisar em primeiro lugar o risco de que a legalização possa ampliar o consumo; depois, se há realmente vantagem científica e medicinal; ainda mais, o impacto da legalização na redução de violência; também quero saber se o sentimento nacional deseja está legalização ou ainda não estaria preparado. Gostaria de ouvir sua opinião". 
Cristovam Buarque.

Senador: conheço o senhor do MEC e respeito o seu trabalho como educador, e como político honesto; mas ninguém deveria aceitar –e menos ainda o senhor!– uma responsabilidade tamanha sem ter conhecimento e opinião formada. Vou lhe dar a minha opinião, já que pediu:

Os argumentos hoje para legalizar a maconha são:
a) uso medicinal, b) acabar com o tráfico, c) arrecadar impostos para a saúde e educação.

Sobre o primeiro (a) acho simples de responder: ninguém se preocupa com o uso medicinal do ópio (já houve uma guerra na China porque a Inglaterra queria impor a venda desta droga a toda a nação chinesa) que, já sabemos, é aplicada na morfina. Ninguém se opõe ao uso medicinal de qualquer planta, incluindo aí a maconha. O princípio ativo precisa ser sintetizado para o uso medicinal. O fumo não é o uso da síntese.

Sobre o argumento (b) de "acabar com o tráfico ilegal" (fazendo-o legal), vamos ver se entendi: uma vez legalizada a maconha, o traficante troca a Uzi e os chinelos por um terno bem cortado, uma gravata azul, um Audi, e vai morar no Morumbi; entendi. 
Ou será que o traficante continua a traficar as outras drogas ilegais? e aí vem a campanha para legalizar todas as drogas e o problema fica resolvido: os traficantes se aposentam, os lucros passam a ter CNPJ e a emitir NF e pagar impostos. 

Ok, e os dependentes químicos? os que começam com álcool-maconha e seguem com cocaína e crack (sem por isto deixar o cannabis e a pinga, claro), quando acaba a cota "farmacêutica" com receita...o que fazem? esperam girar o mês para pegar outra receita de ...40 gramas? ou será que quem é viciado não vai achar pouco? será que não vai querer ir para um mercado paralelo para aqueles que estouraram a cota "medicinal" e/ou "recreativa"? 
Opa, juntando as pontas: não será que os traficantes de hoje, ciumentos dos homens de terno e gravatinha cor de rosa, não vão decidir vender essa droga que vai faltar todo mês ao viciado? será que eles não vão explorar esse "paralelo"?

Por último: sabia, senador, que só no estado de São Paulo, há 600 grupos com mais de 100 famílias cada um, em média, que vivem o drama diário de ter um dependente químico em casa (ou nas ruas)? 
Sabia que 18% a 22% dos que experimentam qualquer psicotrópico acabam viciados? Claro: os que querem a maconha "recreativa" em geral pertencem a uma classe média "intelectual" que pensam que nenhum entre eles vai parar nas cracolândias da vida só por causa de um par de baseados na sexta à noite e outros quatro ou seis entre sábado e domingo. Mas...sabia que na cracolândia –só conheço bem a de SPaulo– há muitos dependentes que vieram da classe média? Há muito ex-homem de negócios que troca de a pedaços a sua Hilux por pedras de crack? 
E sabia que muitos, quase todos eles, começaram pela maconha? Bom, mas quem quer "recreação" não está nem aí com esses detalhes. 

Mas eu sou chato e insisto: sabia que de 20 a 30% dos dependentes compartilham alguma comorbidade? Isto é, dito de um  odo mais simples, são bipolares, depressivos, esquizofrênicos ou border-lines? Esses distúrbios mentais são controláveis, sim; mas quando se somam à droga (psicotrópicos vários, entre os quais a cannabis) os resultados são catastróficos? vide os noticiários de cada semana desde sempre: cineasta morto a facadas pelo filho, esquizofrênico e usuário de drogas....Isto se resolve "liberando" a maconha? 

Mas se a maconha, a cocaína e o crack estão já liberados faz tempo, senador! Passe à tardinha pelas ruas Augusta, avenida Paulista ou na Frei Caneca, e verá que ninguém inibe a venda e o consumo in situ de qualquer droga. Mais ainda: convido o senhor a visitar a Cracolândia de São Paulo –onde dois grupos de jovens trabalham com a PMSP e a secretaria da saúde do estado, e onde pessoalmente trabalho com os familiares dos usuários de crack– e perguntar a esses pobres seres humanos o que acham de liberar a maconha. Convido a ler os relatórios dos jovens que abordam os dependentes sem teto e sabem que a maconha é, junto com o cigarro e o álcool (legais ambos) a porta de entrada desse longo caminho sem volta da cocaína e o crack. Convido ainda a visitar e trocar ideias com alguma das várias irmandades atrás de siglas como os A.A, N.A, Amor Exigente e outras que apoiam as famílias e ao dependente em recuperação para se livrar do flagelo das drogas.

Isto não é moral nem menos ainda moralina: não critico os costumes, mas também não sou a favor do "quem quiser que use e faça do seu cérebro o que bem entender". Por isso tenho certeza que um político como o senhor, honesto, que não é liberal, que não advoga pelo egoísmo do nosso capitalismo selvagem, vai pensar melhor no assunto.


E permita-me, já sobre o final, uma ironia com quem acha que a liberação da maconha vai resolver tudo o que hoje está errado: será que, se aprovada a lei, o PCC vai recolher as Uzis e entregar pijamas para os seus soldados ficarem assistindo a Globo? será que os grandes traficantes vão fazer biquinho porque a aliança de Soros-FHC-Philips Morris tirou os lucros deles e vão entrar todos na Assembleia de Deus, ou vão virar Hare Krishna? Será que os dependentes químicos que fumam entre 10 e 20 baseados por dia, vão ficar quietos assim que ultrapassarem a sua cota farmacêutica de 40 gramas, e ninguém vai oferecer nada "por fora" a eles? Os impostos e taxas que são mal aplicados hoje, vão passar a ser "dinamarquesamente" aplicados em saúde e educação? As cracolândias vão desaparecer pelos efeitos medicinais do cannabis? As PMs vão se autodissolver e deixar de reprimir bêbados que se embriagam legalmente e vão passar a ajudar as velhinhas a travessar o farol? Onde fica a entrada desse espelho, Alice?

A entrada que não é espelho no país das maravilhas é o que o senhor, senador Buarque, vem preconizando há décadas: na educação em geral e na educação no combate às drogas, especificamente; na saúde pública para o dependente químico, entendendo a droga como um desencadeante de múltiplas doenças, físicas e mentais.
Nem mais repressão, nem liberação: mudança de foco; centrar no que interessa: educar o soberano, como dizia o velho liberal argentino, Sarmiento, quando o liberalismo ainda era progressista.
Um abraço,

Javier Villanueva, São Paulo, 18 de fevereiro de 2014.



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Julio y la Maga. La guerra civil estalla en Barcelona



Vea también la 1ª parte:
http://javiervillanuevaliteratura.blogspot.com.br/2014/02/julito-el-cortes-llega-cuba-y-parte.html
Y la 2ª parte: 
http://javiervillanuevaliteratura.blogspot.com.br/2014/02/julito-el-cortes-de-tenochtitlan.html?spref=fb

–Allí fundaron las Aztecas nuestra capital, Tenochtitlán, sobre las islas y pantanos del lago – le cuenta orgullosa Itzá, y se lo confirma Cuaticlue, cuando la pequeña se va, y  Julito no tiene ni un minuto para acordarse de sus morriñas por la Maga, porque en seguida la linda morena lo ahoga entre sus piernas, y el triángulo oscuro del amor le ciega todas las nostalgias y el dolor del abandono.
–Los Toltecas nos despreciaban – le cuenta Cuaticlue cuando recupera el ritmo de la respiración y se tapa, pudorosa, con la piel de jaguar en la que había estado recostada antes.
–Nos llamaban “el último pueblo en llegar”; o sino, “todos los persiguieron”, o “nadie queria recibirlos”, y otros cien nombres despectivos que servían para echarnos en cara a los aztecas lo que más nos ofendía: que carecíamos de un rostro – dice Itzá que le había contado su hermano Tenoch, y Julito lo anota todo en una especie de libretita que armó con varios cueros finos, atados con tiento, y en el que él escribe con una carbonilla que prepara quemando ramitas.

“Y la cara que no tenían, esa ausencia de rostro, fue el contraste más notable con la cultura tolteca, el pueblo de Quetzalcóatl, el dios que había desaparecido en una bruma de misterios”, escribe Julio el Cortés, y agrega que los toltecas se consideraban a si mismos grandes artistas, y por eso desdeñaban tanto a los advenidizos.
“El arte y la moralidad de los toltecas les dio de préstamo, a los aztecas, el rostro que les faltaba”, escribe Julio en su libreta tosca, mientras Coaticlue, la linda morena que había heredado su nombre de la diosa de la tierra, madre de la Luna y las Estrellas, se desnuda lentamente, y refriega sus muslos suaves y sus nalgas redondas en las piernas largas y flacas de Julito, el Cortés. Y Julito larga su libreta y se olvida de una vez por todas de la Maga, de su abandono inexplicable, de su dolor amargo y latiente.

El mismo día en que Hernán Cortés - el que de a poco se va perfilando como el gran conquistador - recibe el tributo de las 20 esclavas que le envía Moctezuma, el emperador miedoso, Julito sale de su campamento y empieza a sumirse otra vez en la más profunda depresión.
Primero perdí a la Maga, piensa. Ahora me quitan a Coaticlue y a Itzá...¿Qué más puedo perder? Piensa y fuma, mezclando las hojas del tabaco, esa planta perfumada que no hay en España y que abunda en América, con las semillas del cacau, que los nativos llaman chocolatl.
Pero, ¿quién es ese Hernán Cortez al que vengo acompañando e estos últimos meses?, se pregunta Julio.

¿Quién es ese hombre?

Los aztecas creían que vendría un gran dios por el mar. Esperaban a Quetzalcóatl, el dios que había desaparecido, pero que volvería un dia, siempre envuelto en una bruma de misterios; y cuando los españoles llegaron, con sus carabelas que parecían grandes casas flotantes, con sus caballos y sus armas que escupían rayos de fuego, ellos pensaron que eran dioses. Por lo tanto, al principio Moctezuma, el emperador azteca - asustado y refugiado apenas en sus superticiones y creencias religiosas - le ofreció varios regalos a Hernán Cortés, pensando que así iría a calmar al dios Quetzalcóatl.
Era común en la civilización de los aztecas el sacrificio humano para celebrar a sus dioses, y aunque nos parezca bárbaro hoy, esta actitud era común en la época, y mucha gente estaba feliz con los sacrificios.
Pero entonces, los aztecas se dieron cuenta de los intereses reales de los españoles y Moctezuma juró ante sus dioses no dejar a los invasores con vida. Era demasiado tarde. Se produjo entonces una larga batalla que duró días y noches, y Julito el Cortés presenció la muerte de muchos de sus compañeros españoles y de centenas de nativos mexicas y toltecas.

Barcelona, junio de 1936.

"Santa" es la primera película del cine sonoro de México con un sonido perfectamente sincrónico a la imagen. Pero dicen que la primera fue "El Águila y el Nopal", de 1929, del director Miguel Contreras Torres. Y la Maga, indecisa entre los dos films mexicanos en cartelera, finalmente elige el más antiguo, y es allí, en el cine anarco-sindicalista que los obreros llamaban el pequeño Hollywood proletario, que la Maga se reencuentra con Julito, y otra vez en circunstancias increibles.

Porque es en la pantalla en que se proyectaba "El Águila y el Nopal" donde aparece en una escena muy rápida Julio, el que en México era llamado "el cortés", y la Maga se emociona al verlo, tan alto, tan garboso con su desgarbado uniforme de conquistador español, su chaqueta corta de cuero, su cinto en bandolera, y una espada que no sabía bien cómo manejar entre los grandes árboles de las selvas centroamericanas.
Pero fue sólo una escena rápida y la Maga tuvo que volver unas seis o siete veces más a la sala del biógrafo anarcosindicalista del pequeño Hollywood proletario, para poder certificarse que era él, sí, su Julio, el que tantas veces había encontrado y desencontrado en las callecitas de Buenos Aires y en las alamedas de París.

Al mes siguiente, el 19 de julio de 1939, había amanecido agitado en Barcelona y la Maga se despertó entre el ruido ensordecedor de las sirenas que llamaban al pueblo a las armas.
Durante todo el día 18, y el 17, e incluso el 16, supo la Maga que los trabajadores se lo habían pasado montando guardia cerca de los cuarteles y los diversos centros oficiales. Hasta las cuatro de la madrugada del 19 se quedaron los militantes socialistas, anarquistas y del POUM en los sindicatos, en la Generalidad y en todos los centros y ayuntamientos de los pueblos de Cataluña.

A la Maga le llegaban noticias, por los diarios obreros y por la radio; confusas y ansiosas noticias desde toda España: que en Zaragoza se había sublevado Cabanellas, que en Sevilla Queipo de Llano y en las Canarias el general Franco. Y que se esperaba el golpe en Barcelona para esa misma noche.
Supo la Maga que Abad de Santillán, García Oliver, Ascaso, Durruti y Assens -estos dos últimos en nombre del Comité Regional y de la Federación Local- habían ido a la Gobernación y a la Generalidad, exigiéndole al presidente Companys la entrega de armas a los obreros, para la defensa de la capital y en las barriadas.

Cuando Julito la vio por fin, después de varias visitas de la Maga al cine, y sentándose siempre en la misma butaca, fue que se produjo aquel fenómeno. Sí, aquel fenómeno extraño al que siempre se refiere Juancito: una arruga en el tiempo; o una ventana, porque él usa indistintamente los dos términos. Una arruga, o una ventana, en el espacio-tiempo, por la cuál Julito, -que estaba"dentro" de la película mexicana, y representando en la ficción un hecho real ocurrido 420 años antes- saltó de la pantalla, matando de susto a los pocos espectadores que habían preferido la película a los hechos que se desarrollaban en las calles. Julito reconoció a la Maga, salió del celuloide, la tomó de la mano y se la llevó corriendo hacia afuera del biógrafo anarco-sindicalista.

Ya en la calle, las ropas extemporáneas de Julito -un soldado de la conquista española del siglo XVI no llamaban en nada la atención de los trabajadores, preocupados en exigirles armas al gobierno catalán. Se las negaron hasta el último momento y los primeros combates tuvieron que sostenerse dando el pecho desnudo a los fusiles y a los cañones.

- Ya empieza la lucha, y sólo nos han dado un centenar de pistolas- le dice un militante del POUM a la Maga, que lo mira a Julito que no suelta su vieja espada de utilería y su pistolón de un solo tiro, pero también de utilería.
-El pueblo tuvo que armarse, conquistando las armas a las tropas sublevadas- le comenta a Julito un miliciano anarquista, que parece que recibió hace poco un viejo máuser, y lo sostiene con orgullo.

Las descargas de fusilería en el fragor de los combates retumba de un lado al otro de Barcelona. En las afueras, el pueblo está también en l armas. Los trabajadores acuden desde todos los pueblos, concentrándose en las plazas fuertes. En Figueras y Gerona el pueblo rodea los cuarteles e impide la salida de las fuerzas alzadas contra la República. Lérida y Tarragona no llegan a sublevarse, pues el movimiento sedicioso, al no triunfar en Barcelona en las primeras horas, se sintió ya derrotado en el resto de Cataluña.
-Vamos a sumarnos a la gente del POUM- le sugiere la Maga a Julio. Y caminan de manos dadas hasta la sede del partido.

3ª parte. La guerra civil estalla en Barcelona.

Y así empezaron los nuevos encuentros y desencuentros de la Maga y Julito, algo que a veces hacía que sus vidas se hundieran en el infierno de las frustraciones más grandes, mientras que en otras ocasiones se divertían, y Julio le decía a su compañera: las callecitas de Bracelona tienen un, qué se yo...no?, y se reían a carcajadas. Y todos los miraban en sus paseos por la Rambla, mientras se reponían de sus recorridos, frustrantes a veces, por todos los frentes y retaguardias de la guerra civil de aquella Cataluña de huelgas y sacristías oscuras, que a ellos les parecían como unas fotos instantáneas privilegiadas de una sociedad en crisis a un punto de estallar y volar por los aires.

Por otro lado, sus idas y vueltas por el frente de Aragón en 1936 nos prepara y alerta para hechos cruciales posteriores, como la ofensiva sobre Huesca o el desarme del POUM.

Uniformados con ropas de milicianos, salen agarrados de la mano por las callecitas de Barcelona, y van a escuchar los discursos del POUM en los mitines del partido; oyen con atención y comentan en voz baja las palabras de Andreu Nin, de Wilebaldo Solano y de Andrade. Van a conversar con algunos camaradas anarquistas y del POUM, o se encuentran en el Price, o en otros teatros de Barcelona, para desfilar con las milicias por las calles de la ciudad a la salida de los mitines; o se detienen um rato para comerse unos aperitivos y beberse una limonada en el bar automático de la Rambla Canaletes.

Eran semanas y meses muy felices para la Maga, solamente oscurecidos por un cierto malestar de Julio. Un disgusto que le arruinaba algunos momentos al día, en los que se  sentía carcomido por no haber conseguido todavía un par de armas y municiones que les permitieran quedarse en un cuartel y salir a luchar en el frente. A pesar de ello, Julito y la Maga siempre reiniciaban cada mañana su peregrinaje tenaz por los cuarteles de Barcelona y sus alrededores para tratar de lograr una plaza de combatiente para cada uno. 

-Salímos de Vic, en tren, el jueves a las primeras horas de la mañana. Estuvimos en el cuartel del POUM de la calle Tarragona- le cuenta la Maga a Julito, porque el día anterior se habían separado para ver si así, yendo cada uno por su lado, lograban una vacante más rápido.  

- Les mostramos nuestro carnet del partido al oficial de guardia, y casi nos echa a patadas por causa de la edad de Juanillo, que no cumplió los 16 todavía- agrega Pedro, el primo de la Maga que llegó desde Buenos Aires hace diez dias y los acompaña en su búsqueda de una arma y un lugar para luchar contra los sublevados.

-Bueno, Pedrín, es que en los otros cuarteles y después de diversos periplos, luego de oír nuestras intenciones, siempre nos mandaban primero a limpiar los establos y las cuadras- dice Julito.  

-Sí, e incluso era peor que ahora, porque una vez que los jefes se ponían en contacto con la estación de Vic, nos acompañaban hasta el tren y nos dejaban bajo la vigilancia de la policía ferroviaria hasta que llegábamos otra vez a la estación de Barcelona- agrega la Maga.

-Es verdad. Anduvimos por todos los cuarteles. En ninguno nos aceptaron y terminamos del mismo modo, siempre: vigilados y conducidos al tren de la Plaça Catalunya. No nos valió sombrearle un bigote a Juanillo, ni explicarles a los jefes que él es huérfano de una pareja de obreros combatientes y que desea vengarlos a sus padres- cuenta, bastante malhumorado, Julito.

Mientras tanto, la Maga divaga, se mete por el espejo de los recuerdos y pasea por los laberinto de la memoria; se acuerda de cuando todavía se buscaban y se perdían con Julio por las callecitas cercanas a los jardines de Luxemburgo, en París, y se encontraban y se volvían a perder de nuevo entre las mesas de las librerías del Barrio Latino, en los bares Boul'Mich y Old Navy, o el Quai de Jemmapes.

Pero fue exactamente en una droguería de la estación Saint-Lazare, también en París, que Julito se encontró por primera vez, de cara con la Maga. Ella se acuerda que no hablaron mucho, apenas lo suficiente para que Julio quedase completamente encantado, y la siguiera más tarde, desde el muelle de Conti hasta las puertas del cementerio de Montparnasse.

Y vuelve la Maga de su ensueño porque, mientras ella divaga, sigue la guerra en todos los frentes. Tanto, que la Maga colgó un mapa enorme en la pared del bar de Rambla Canaletes, y cada día, después de leer el periódico “La Batalla”, órgano central del POUM, y compararlo con las noticias de los comunistas prosoviéticos y de los anarquistas, Julito pincha banderitas rojas y azules; con las primeras representa las milícias obreras y populares y las segundaspara marca a los militares sublevados; y la Maga y Julito, tomados de la mano, observan con unas caras serísimas el curso de las operaciones bélicas entre los defensores de la legalidad de la república y los sediciosos profascistas.

Pero, no sé si Uds. me siguen en el relato o si ya se perdieron. Todo esto que les cuento –lo de Julito en Tenochtitlan y luego en Barcelona- es una larga historia de vida, una vida de desencuentros tristes y de felices reencuentros entre la Maga y Julito. La Maga me dice que hace un buen rato que a Juanillo, al que ella llama “Juancito” se le puso en la cabeza que el tiempo -el de las horas y los años- es como una colcha enorme, una especie de frazada gigantesca, que a veces hace unas curvas bruscas y acentuadas y cambia de dirección, y otras baja o sube tan rápidamente que algunas de sus partes se tocan entre si.

-Y cuando a Juan se le mete una idea entre ceja y ceja, bueno, ya sabés cómo es él, te repite la idea unas mil veces, hasta que te convence, o te harta- hace una mueca coqueta la Maga y le pasa la mano por el pelo a Julito, que la mira aburrido, con su mirada bovina perdida en el mate.
Bueno, en mi caso fueron las dos cosas: Juancito me convenció, pero también me hartó. Así que voy a tratar de contarte la historia lo más objetivamente posible, empieza a contarme la Maga.

-Juancito dice que estudió mucho lo de las arrugas del tiempo; que son pliegues -según él y sus estudios, porque yo no me he puesto a verificarlo, claro, coincide Julito con la Maga- en los que  se diferencian dos tipos de Tiempos.

-Uno de ellos es Kronos, el Tiempo de la oportunidad. Me contaba una y mil veces, hasta convencerme, que en la mitología griega se pensaba, desde siempre, que el cielo y la tierra estaban íntimamente unidos- insiste la Maga, se interrumpe y se levanta para cebar mate.

-Mirá vos qué erotismo el de los griegos; ellos pensaban que el falo del cielo estaba siempre metido en la tierra y no dejaba que nada saliera de su vientre terrenal. Eran dos modos de entender el Tiempo y su eternidad, y sus dos dioses de lo eterno:  Kronos, el del eterno nacer y perecer; y Aión: el del eterno estar y volver- en otras palabras, según Juan, lo que hay de vida entre el nacer y el morir, meditaba la Maga.

-O entre la nada y nada. ¿Entendés? Kronos es la duración. El espacio de tiempo que hay entre la vida y la muerte. Mientras que Aión es el tiempo pleno de la vida, pero sin muerte- me cuenta Julito que le repetía Juan en sus largas horas de insomnio, en las que tampoco lo dejaba dormir, porque se metía en su pieza, lo zamarreaba hasta despertarlo y se sentaba a contarle sus teorías locas.

-Kronos es el presente, con su pasado y su futuro, como cuando uno no se acuerda de algo, o decide que hay algo que mejor lo hago mañana; o cuando se compara lo antiguo y pasado de moda con algo reciente y deseado - ¿me entendés Javi?, me decía la Maga, entusiasmándose con la teoría de Juancito.

-Sí, y Aión entonces es el pasado y el futuro, como dos momentos independientes del presente- me dice la Maga que cada vez se animaba más a seguir las teorías y a compartir el entusiasmo de Juancito, que cuando se aparta momentáneamente de la política siempre se mete con la ciencia, el esoterismo o la filosofía.

-Eso mismo Javi: Kronos es el tiempo del  movimiento, de la creación y el trabajo; es el dios de lo que Aristóteles llamaba las acciones imperfectas- cuenta la Maga que Juancito levantaba la voz, gesticulaba, la tomaba por los hombros y la zamarreaba para convencerla de sus teorías.

-Es el Tiempo de los objetivos fútiles, tontos, como adelgazar, por ejemplo; u otros más nobles, como construir una casa. ¿Me seguís, no? son ese tipo de acciones que parecen inservibles cuando uno alcanza la meta que se había propuesto. Cuando uno llega, se muere el movimiento que en realidad no valía tanto por sí mismo- dice la Maga que le contaba Juancito.

-Lo de las arrugas del tiempo es así, mirá- Le decía Juancito a la Maga, y Julio me lo contaba años después, en Buenos Aires. -Cuando ocurren grandes crisis, revoluciones o situaciones de conflictos sociales muy fuertes, es como si el Tiempo se acelerase y parase bruscamente, produciendo “arrugas” o incluso rupturas, como ocurre en un asfalto blando en el que los camiones de muchas toneladas hacen movimientos bruscos de arrancadas y de frenadas-

-Bueno, para hacértela corta: tres meses atrás, en Plaça Catalunya ocurrió una de esas rupturas: la superficie del Tiempo se rompió, y se abrió una ventana que nos comunicó con otra época; el Tiempo eterno, infinito, se juntó con un momento único, una oportunidad de las que no se repiten- y parece que fue por ahi que entró Julito a la pantalla del cine en el que pasaban "El Águila y el Nopal”. Y así fue que, de la antigua Tenochtitlán, en el México de 1519, Julio fue proyectado para la Barcelona revolucionaria del año 1936.

Durante toda su estancia en España, Julito y la Maga alternaron tres temporadas en el frente de Aragón con otras cuatro, descansando o recuperándose de heridas en la retaguardia de Barcelona, donde vivieron los Sucesos de Mayo en el año 1937, en los que se enfrentaron anarquistas y comunistas.

–En las milícias del POUM lo conocimos a Orwell y ya presentimos entonces ese tono amargo, desencantado y pesimista que más tarde llenó las páginas de su “Homenaje a Cataluña” que publicó en 1938- me cuenta la Maga, y Julio se calla, porque prefiere no opinar sobre el tema.

-Como a los soldados rasos les permiten incorporarse a otras unidades, después de la disolución de las milícias del POUM por los estalinistas, Julito y la Maga van a parar a la 26ª división, la que era la antigua columna Durruti, y regresan al frente de Farlete, en Zaragoza. Es entonces cuando son capturados en un ataque fascista.

Continuará

Javier Villanueva, São Paulo 11 de febrero de 2014.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

¿Maiakovski, Brecht, o Niemöller?



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“El arte no es un espejo para reflejar el mundo, sino un martillo con el que golpearlo”
Vladimir Maiakovski

Al arte y a la literatura no les hace falta meterse en la política: ya son política pura por sus propias condiciones artísticas. Están embebidos desde la raíz a la copa por la lengua y la cultura de la sociedad que les da la forma, y a la que también la literatura y el arte le devuelven nuevas formas, más vistosas y definidas. JV.

“La primera noche,
ellos se acercan
y toman una flor de nuestro jardín.
No decimos nada.
La segunda noche
ya no se esconden,
pisan las flores,
matan a nuestro perro
y no decimos nada.
Hasta que un día,
el más frágil de ellos,
entra solo a nuestra casa,
nos roba la luna,
y conociendo nuestro miedo,
nos arranca la voz de la garganta.
Y porque no dijimos nada,
ya no podemos decir nada”.

"Libertad de Expresión"
Vladimir Maiakovski, poeta ruso soviético (1893-1930)

Este texto del ruso y comunista Maiakovski es el que -según algunos, reescrito más tarde por Bertolt Brecht  y según otros, reinterpretado por un pastor luterano alemán después de la guerra- inspiró outro escrito, el de más abajo:

"Primero se llevaron a los comunistas,
pero a mi no me importó porque yo no lo era;
enseguida se llevaron a unos obreros,
pero a mí no me importó porque yo tampoco lo era;
después detuvieron a los sindicalistas,
pero a mí no me importó porque yo no soy sindicalista;
luego apresaron a unos curas, pero como yo no soy religioso,
tampoco me importo.
Ahora me llevan a mí, pero ya es demasiado tarde". 

Bertolt Brecht, poeta y dramaturgo alemán (1898-1956)

Como dije antes, otros le atribuyen este último texto al pastor alemán Martin Niemöller, que en 1966 ganhó el Premio Lenin de Paz. En la década de 1980, el pastor fue conocido por un antiguo sermón que él profiriera, poco después de terminados los horrores de la 2ª guerra mundial, y que se consideró una adaptación del poema de Vladimir Maiakovski, "Libertad de expresión" o "Cuando los nazis vinieron atrás de los comunistas" aquí presentados al inicio. Veamos un poco más:

Tal vez, como en el caso de otros, atribuidos a autores como J.L.Borges o a G.G. Márquez, el texto famoso en cuestión sea nada más, y como tantos, apenas mal atribuido; es lo que llamamos un texto apócrifo; en este caso, perteneciente supuestamente a una creación de Bertolt Brecht, cuando en realidad su autor parece haber sido Martin Niemoeller, pastor luterano alemán. La cita auténtica, originalmente parte de un sermón en la Semana Santa de 1946 en Kaiserslautern, Alemania, dice así:

"Cuando los nazis vinieron a buscar a los comunistas,
guardé silencio, porque yo no era comunista,
Cuando encarcelaron a los socialdemócratas,
guardé silencio, porque yo no era socialdemócrata
Cuando vinieron a buscar a los sindicalistas,
no protesté, porque yo no era sindicalista,
Cuando vinieron a buscar a los judíos,
no protesté, porque yo no era judío,
Cuando vinieron a buscarme,
no había nadie más que pudiera protestar."

Martín Niemöller (1892 -1984)

Otra de las citas del pastor Martin Niemöller es también muy conocida:

"El amor al prójimo no conoce límites ideológicos ni confesionales"
Algo que bien puede servir a nuestras épocas de odios homofóbicos, ideológicos y políticos.


Javier Villanueva, São Paulo, 10 de febrero de 2014.



sábado, 8 de fevereiro de 2014

Julito el Cortés, de Tenochtitlán a Barcelona. 2ª parte.




Julito el Cortés, de Tenochtitlán a Barcelona.

–Allí fundaron las Aztecas nuestra capital, Tenochtitlán, sobre las islas y pantanos del lago – le cuenta orgullosa Itzá, y se lo confirma Cuaticlue, cuando la pequeña se va, y  Julito no tiene ni un minuto para acordarse de sus morriñas por la Maga, porque en seguida la linda morena lo ahoga entre sus piernas, y el triángulo oscuro del amor le ciega todas las nostalgias y el dolor del abandono.

–Los Toltecas nos despreciaban – le cuenta Cuaticlue cuando recupera el ritmo de la respiración y se tapa, pudorosa, con la piel de jaguar en la que había estado recostada antes.

–Nos llamaban “el último pueblo en llegar”; o sino, “todos los persiguieron”, o “nadie queria recibirlos”, y otros cien nombres despectivos que servían para echarnos en cara a los aztecas lo que más nos ofendía: que carecíamos de un rostro – dice Itzá que le había contado su hermano Tenoch, y Julito lo anota todo en una especie de libretita que armó con varios cueros finos, atados con tiento, y en el que él escribe con una carbonilla que prepara quemando ramitas.

“Y la cara que no tenían, esa ausencia de rostro, fue el contraste más notable con la cultura tolteca, el pueblo de Quetzalcóatl, el dios que había desaparecido en una bruma de misterios”, escribe Julio el Cortés, y agrega que los toltecas se consideraban a si mismos grandes artistas, y por eso desdeñaban tanto a los advenidizos.

“El arte y la moralidad de los toltecas les dio de préstamo, a los aztecas, el rostro que les faltaba”, escribe Julio en su libreta tosca, mientras Coaticlue, la linda morena que había heredado su nombre de la diosa de la tierra, madre de la Luna y las Estrellas, se desnuda lentamente, y refriega sus muslos suaves y sus nalgas redondas en las piernas largas y flacas de Julito, el Cortés. Y Julito larga su libreta y se olvida de una vez por todas de la Maga, de su abandono inexplicable, de su dolor amargo y latiente.

El mismo día en que Hernán Cortés - el que de a poco se va perfilando como el gran conquistador - recibe el tributo de las 20 esclavas que le envía Moctezuma, el emperador miedoso, Julito sale de su campamento y empieza a sumirse otra vez en la más profunda depresión.

Primero perdí a la Maga, piensa. Ahora me quitan a Coaticlue y a Itzá...¿Qué más puedo perder? Piensa y fuma, mezclando las hojas del tabaco, esa planta perfumada que no hay en España y que abunda en América, con las semillas del cacau, que los nativos llaman chocolatl.
Pero, ¿quién es ese Hernán Cortez al que vengo acompañando e estos últimos meses?, se pregunta Julio.

¿Quién es ese hombre?

Los aztecas creían que vendría un gran dios por el mar. Esperaban a Quetzalcóatl, el dios que había desaparecido, pero que volvería un dia, siempre envuelto en una bruma de misterios; y cuando los españoles llegaron, con sus carabelas que parecían grandes casas flotantes, con sus caballos y sus armas que escupían rayos de fuego, ellos pensaron que eran dioses. Por lo tanto, al principio Moctezuma, el emperador azteca - asustado y refugiado apenas en sus superticiones y creencias religiosas - le ofreció varios regalos a Hernán Cortés, pensando que así iría a calmar al dios Quetzalcóatl.

Era común en la civilización de los aztecas el sacrificio humano para celebrar a sus dioses, y aunque nos parezca bárbaro hoy, esta actitud era común en la época, y mucha gente estaba feliz con los sacrificios.

Pero entonces, los aztecas se dieron cuenta de los intereses reales de los españoles y Moctezuma juró ante sus dioses no dejar a los invasores con vida. Era demasiado tarde. Se produjo entonces una larga batalla que duró días y noches, y Julito el Cortés presenció la muerte de muchos de sus compañeros españoles y de centenas de nativos mexicas y toltecas.

Barcelona, junio de 1936.

"Santa" es la primera película del cine sonoro de México con un sonido perfectamente sincrónico a la imagen. Pero dicen que la primera fue "El Águila y el Nopal", de 1929, del director Miguel Contreras Torres. Y la Maga, indecisa entre los dos films mexicanos en cartelera, finalmente elige el más antiguo, y es allí, en el cine anarco-sindicalista que los obreros llamaban el pequeño Hollywood proletario, que la Maga se reencuentra con Julito, y otra vez en circunstancias increibles.

Porque es en la pantalla en que se proyectaba "El Águila y el Nopal" donde aparece en una escena muy rápida Julio, el que en México era llamado "el cortés", y la Maga se emociona al verlo, tan alto, tan garboso con su desgarbado uniforme de conquistador español, su chaqueta corta de cuero, su cinto en bandolera, y una espada que no sabía bien cómo manejar entre los grandes árboles de las selvas centroamericanas.
Pero fue sólo una escena rápida y la Maga tuvo que volver unas seis o siete veces más a la sala del biógrafo anarcosindicalista del pequeño Hollywood proletario, para poder certificarse que era él, sí, su Julio, el que tantas veces había encontrado y desencontrado en las callecitas de Buenos Aires y en las alamedas de París.

Al mes siguiente, el 19 de julio de 1939, había amanecido agitado en Barcelona y la Maga se despertó entre el ruido ensordecedor de las sirenas que llamaban al pueblo a las armas.

Durante todo el día 18, y el 17, e incluso el 16, supo la Maga que los trabajadores se lo habían pasado montando guardia cerca de los cuarteles y los diversos centros oficiales. Hasta las cuatro de la madrugada del 19 se quedaron los militantes socialistas, anarquistas y del POUM en los sindicatos, en la Generalidad y en todos los centros y ayuntamientos de los pueblos de Cataluña.

A la Maga le llegaban noticias, por los diarios obreros y por la radio; confusas y ansiosas noticias desde toda España: que en Zaragoza se había sublevado Cabanellas, que en Sevilla Queipo de Llano y en las Canarias el general Franco. Y que se esperaba el golpe en Barcelona para esa misma noche.

Supo la Maga que Abad de Santillán, García Oliver, Ascaso, Durruti y Assens -estos dos últimos en nombre del Comité Regional y de la Federación Local- habían ido a la Gobernación y a la Generalidad, exigiéndole al presidente Companys la entrega de armas a los obreros, para la defensa de la capital y en las barriadas.

Cuando Julito la vio por fin, después de varias visitas de la Maga al cine, y sentándose siempre en la misma butaca, fue que se produjo aquel fenómeno. Sí, aquel fenómeno extraño al que siempre se refiere Juancito: una arruga en el tiempo; o una ventana, porque él usa indistintamente los dos términos. Una arruga, o una ventana, en el espacio-tiempo, por la cuál Julito, -que estaba"dentro" de la película mexicana, y representando en la ficción un hecho real ocurrido 420 años antes- saltó de la pantalla, matando de susto a los pocos espectadores que habían preferido la película a los hechos que se desarrollaban en las calles. Julito reconoció a la Maga, salió del celuloide, la tomó de la mano y se la llevó corriendo hacia afuera del biógrafo anarco-sindicalista.

Ya en la calle, las ropas extemporáneas de Julito -un soldado de la conquista española del siglo XVI no llamaban en nada la atención de los trabajadores, preocupados en exigirles armas al gobierno catalán. Se las negaron hasta el último momento y los primeros combates tuvieron que sostenerse dando el pecho desnudo a los fusiles y a los cañones.

- Ya empieza la lucha, y sólo nos han dado un centenar de pistolas- le dice un militante del POUM a la Maga, que lo mira a Julito que no suelta su vieja espada de utilería y su pistolón de un solo tiro, pero también de utilería.
-El pueblo tuvo que armarse, conquistando las armas a las tropas sublevadas- le comenta a Julito un miliciano anarquista, que parece que recibió hace poco un viejo máuser, y lo sostiene con orgullo.

Las descargas de fusilería en el fragor de los combates retumba de un lado al otro de Barcelona. En las afueras, el pueblo está también en l armas. Los trabajadores acuden desde todos los pueblos, concentrándose en las plazas fuertes. En Figueras y Gerona el pueblo rodea los cuarteles e impide la salida de las fuerzas alzadas contra la República. Lérida y Tarragona no llegan a sublevarse, pues el movimiento sedicioso, al no triunfar en Barcelona en las primeras horas, se sintió ya derrotado en el resto de Cataluña.
-Vamos a sumarnos a la gente del POUM- le sugiere la Maga a Julio. Y caminan de manos dadas hasta la sede del partido.

Continuará

J.V. São Paulo 8 de febrero de 2014.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Julito, el Cortés, llega a Cuba y parte hacia Tenochtitlán.



Julito, el Cortés, llega a Cuba y parte hacia Tenochtitlán

Mesoamérica, abril de 1519.

Julito es alto, muy alto: 1,95m. Y esto, en una época en que la mayoría de los hombres blancos, o por lo menos los españoles, no pasa de 1,65 a 1,70m, es algo fuera de lo normal.

Julito parece un monstruo, o un dios. La mayoría de los españoles y genoveses lo consideran un gentleman, por eso le dicen “el cortés” desde que se enganchó como marinero en Cádiz. Los nativos, más altos y fornidos que los marinos europeos, también lo tratan con respeto. Sus ojos grandes y tan separados uno del otro; la barba, de un color miel, y su cara de niño, asustan a los indios.

Algunos piensan que es un brujo. Además, se la pasa el tiempo entero hablando de una Maga, una mujer que lo sedujo y lo dejó. Dicen los pocos que lo conocen que fue en Paris que Julio y la Maga se habían perdido, aparentemente de un modo definitivo y fatal. Fatal para Julio, que pensaba que ella lo había abandonado, cuando en realidad tan solo se hubieran desencontrado un par de veces y nunca más se volvieran a ver.

Julito la buscó durante veintiún días y ventidós noches; porque fue en la nochebuena de 1518 que se perdieron, y ya en enero del 19 Julio embarcó rumbo a Cuba.
Desilusionado y triste, casi al borde de la depresión, Julito el Cortés, se alistó en la expedición que - mal lo sabría él después - en la primavera europea llegaría al reino fabuloso de Tenochtitlán.

Julito es muy alto y su mirada bovina, enmarcada por una barba castaña, lo hace parecer una figura heroica ante los ojos de los mexicas y toltecas. Indias e indios lo persiguen de día y de noche. Mujeres cercanas al séquito de la que después sería conocida como la Malinche, no lo dejan en paz. Le tienen miedo, lo respetan a Julito.

Antes, en los comienzos de la primavera cubana, Hernán Cortés había zarpado desde Cuba con 11 navíos. A bordo estaban los 508 soldados y sus 16 caballos. Uno de los soldados era Julito. Julio, el Cortés -así llamado por su elegante y fino trato, pero sobre todo por sus “erres” afrancesadas- apenas conseguía ponerse la pechera de cuero, corta y rígida, ajustada por un ancho cinturón que él atravesaba por el pecho a modo de bandolera.

Las 20 esclavas que acompañaban a la que luego sería la Malinche aún no habían sido llevadas de regalo al conquistador de México;  y mientras Hernan Cortés no elegía a la que más tarde sería su mujer y le daría a América su primer mestizo,  Julito el Cortés ahogaba sus penas por la pérdida de la Maga en los brazos de Cuaticlue, una morena linda y dulce que lo entretenía, extasiada siempre con la barba de aquel gigante y su cara de niño malvado.

Y cuando Cuaticlue se iba al río a bañarse, o salía a juntar sus aguacates para Malinche, Julito el Cortés se olvidaba de la Maga, y naufragaba feliz entre los senos morenos de Itzá, la hermana menor del sacerdote Tenoch. La joven azteca era tataranieta de aquel otro Tenoch, el que en 1325 había acompañado al Mago Colibrí – Huitzilopochtli - el feroz dios de la guerra que condujo a los Aztecas desde los desiertos de Arizona  y Chihuahua hasta el centro de Méjico; fue allí que Tenoch, el tatarabuelo de la pequena Itzá, había visto el águila devorando a una serpiente sobre un nopal, en una de las tantas islas de un gran lago.

–Allí fundaron las Aztecas nuestra capital, Tenochtitlán, sobre las islas y pantanos del lago – le cuenta orgullosa Itzá, y se lo confirma Cuaticlue, cuando la pequeña se va, y  Julito no tiene ni un minuto para acordarse de sus morriñas por la Maga, porque en seguida la linda morena lo ahoga entre sus piernas, y el triángulo oscuro del amor le ciega todas las nostalgias y el dolor del abandono.

–Los Toltecas nos despreciaban – le cuenta Cuaticlue cuando recupera el ritmo de la respiración y se tapa, pudorosa, con la piel de jaguar en la que había estado recostada antes.
–Nos llamaban “el último pueblo en llegar”; o sino, “todos los persiguieron”, o “nadie queria recibirlos”, y otros cien nombres despectivos que servían para echarnos en cara a los aztecas lo que más nos ofendía: que carecíamos de un rostro – dice Itzá que le había contado su hermano Tenoch, y Julito lo anota todo en una especie de libretita que armó con varios cueros finos, atados con tiento, y en el que él escribe con una carbonilla que prepara quemando ramitas.

“Y la cara que no tenían, esa ausencia de rostro, fue el contraste más notable con la cultura tolteca, el pueblo de Quetzalcóatl, el dios que había desaparecido en una bruma de misterios”, escribe Julio el Cortés, y agrega que los toltecas se consideraban a si mismos grandes artistas, y por eso desdeñaban tanto a los advenidizos.
“El arte y la moralidad de los toltecas les dio de préstamo, a los aztecas, el rostro que les faltaba”, escribe Julio en su libreta tosca, mientras Coaticlue, la linda morena que había heredado su nombre de la diosa de la tierra, madre de la Luna y las Estrellas, se desnuda lentamente, y refriega sus muslos suaves y sus nalgas redondas en las piernas largas y flacas de Julito, el Cortés. Y Julito larga su libreta y se olvida de una vez por todas de la Maga, de su abandono inexplicable, de su dolor amargo y latiente.

El mismo día en que Hernán Cortés - el que de a poco se va perfilando como el gran conquistador - recibe el tributo de las 20 esclavas que le envía Moctezuma, el emperador miedoso, Julito sale de su campamento e empieza a sumirse otra vez en la más profunda depresión.

Primero perdí a la Maga, piensa. Ahora me quitan a Coaticlue y a Itzá...¿Qué más puedo perder? Piensa y fuma, mezclando las hojas del tabaco, esa planta perfumada que no hay en España y que abunda en América, con las semillas del cacau, que los nativos llaman chocolatl.

Pero, ¿quién es ese Hernán Cortez al que vengo acompañando e estos últimos meses, se pregunta Julio?

¿Quién es ese hombre?

Los aztecas creían que vendría un gran dios por el mar. Esperaban a Quetzalcóatl, el dios que había desaparecido, pero que volvería un dia, siempre envuelto en una bruma de misterios; y cuando los españoles llegaron, con sus carabelas que parecían grandes casas flotantes, con sus caballos y sus armas que escupían rayos de fuego, ellos pensaron que eran dioses. Por lo tanto, al principio Moctezuma, el emperador azteca - asustado y refugiado apenas en sus superticiones y creencias religiosas - le ofreció varios regalos a Hernán Cortés, pensando que así iría a calmar al dios Quetzalcóatl.

Era común en la civilización de los aztecas el sacrificio humano para celebrar a sus dioses, y aunque nos parezca bárbaro hoy, esta actitud era común en la época, y mucha gente estaba feliz con los sacrificios.

Pero entonces, los aztecas se dieron cuenta de los intereses reales de los españoles y Moctezuma juró ante sus dioses no dejar a los invasores con vida. Era demasiado tarde. Se produjo entonces una larga batalla que duró días y noches, y Julito el Cortés presenció la muerte de muchos de sus compañeros españoles y de centenas de nativos mexicas y toltecas.

Barcelona, junio de 1936.

Santa es la primera película del cine sonoro de México con un sonido perfectamente sincrónico a la imagen. Pero dicen que la primera fue "El Águila y el Nopal", de 1929, del director Miguel Contreras Torres; y la Maga, indecisa entre los dos films mexicanos en cartelera, finalmente elige el más antiguo, y es allí, en el cine anarcosindicalista que los obreros llamaban su pequeño Hollywood proletario, que la Maga reencontró a Julito, y otra vez en circunstancias increibles.

Continuará.
Javier Villanueva, São Paulo, 31 de enero de 2014.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

"O que vale é ter liberdade para consumir"



Enquanto alguns poucos noticiários na TV falam sobre o boicote criminoso organizado pelo Denarc -departamento que cuida das drogas na polícia civil de SP- jogando bombas contra os dependentes químicos da cracolândia, população que o Programa Braços Abertos da prefeitura tenta tirar da indignidade, lembro de um filme.

 "O que vale é ter liberdade para consumir, essa é a verdadeira funcionalidade da democracia", diz o ator Lázaro Ramos, no papel de um marginal que sai da cadeia e organiza o sequestro de um corrupto capitalista predador que organiza ONGs apenas para captar dinheiro dos grandes e médios investidores e fazer um belo caixa-2.

É claro que o pensamento do personagem de Ramos, que coincide com muitos discursos ultra-esquerdistas, é mais do que um exagero, e passa para a categoria das inverdades. O consumismo hoje –vejam se não uma das faces dos rolezinhos- é a funcionalidade do capitalismo. Mas sempre foi. Quando o sistema medieval de acumular riquezas em poucas mãos na base da agricultura e a guerra mudou 180º e aparece a burguesia mercantil e proto-industrial, a guerra e a política passam para um estágio superior: servir à acumulação do capital. E logo virá a segunda fase, a fase superior que é o colonialismo e o imperialismo.

É por essas e outras que os pequenos traficantes de maconha, de chinelo e a pé, ou mesmo alguns barões da favela -de corrente de ouro, arma na cintura e carro novo, que tanto usam como abusam da violência- sabem que estão com seus dias de vida economicamente contados. O grande capital internacional sabe –soube até antes que os barõezinhos do cannabis nas favelas- que a venda legal da maconha pode oferecer lucros bilionários, e aplica num alto investimento de propaganda a favor da “descriminalização” da famosa erva. O tema deve entrar na pauta eleitoral de 2014, pela mão de uma esquerda liberal que acha que droga e uso de droga é uma escolha pessoal e não um drama de milhares de famílias que já virou pauta de saúde pública, além de tema da educação e da segurança; mas sobretudo o tema interessa aos senhores de gravatinhas cor de rosa, CNPJ e prédios com grandes vidros espelhados, pelo potencial econômico com que acena a comercialização legal da maconha no Brasil.

Para entender melhor o processo, e tomar posição em relação à questão da droga, vamos nos remontar aos anos 80 do já longínquo século XX, quando o ator-presidente republicano e ultraconservador Ronald Reagan, em meio ao recrudescimento da guerra fria contra a URSS, decide apostar tudo no combate às drogas. As guerrilhas latino-americanas tinham começado a cobrar um imposto-pedágio aos narcotraficantes, e estes foram procurar apoio e proteção nas milícias da direita policial e militar que rapidamente se organizaram e receberam cooperação militar e financiamento maciço dos governos alinhados com o Reagan.

Essa guerra fracassou e os democratas de Clinton e Obama sentiram o cheiro da derrota antes que os republicanos que, igual que os nossos conservadores ultrarreacionários tropicais –malufistas, bolsonaros, clubes militares e das PMs, etc.- só pensam a política na ponta do fuzil.

O mega-capitalista Soros apoiou financeiramente a campanha de Obama, que pretende –correta e felizmente pra nós, que somos os do quintal dos EUA- desmilitarizar a política norte-americana. Humanismo? Não!, simples pragmatismo: a guerra em 28 fronts sai caríssima para os EUA. É já é hora de desmontar o aparato bélico herdado de Reagan e da guerra fria, e criar novas saídas.

FHC, que de ideólogo da esquerda quase nacionalista dos anos 60 e 70 passou para guru do liberalismo privatizador, entendeu o piscar dos olhos do grande capital y seus governos. Estado mínimo, só para facilitar negócios, dinheiro público em harmonia com o capital que sempre mandou nestes hemisférios. O Instituto Millenium e outros intelectuais que também passaram da esquerda para o liberalismo –como o escritor Mario Vargas Llosa- também entenderam os novos ventos que sopram do centro do mundo para as periferias. E todos –direita antediluviana e liberais tipo Obama, FHC e Vargas Llosa- lutam contra o inimigo de sempre, o que eles chamam de populismo, e que nós sabemos que é apenas a nova onda de governos populares e democráticos com políticas baseadas na erradicação da miséria e do abismo social.

O bilionário George Soros, maior investidor da “Open Society”, um holding de ONGs em geral -muito bem retratada no filme brasileiro “Quanto vale ou é por quilo? do diretor Sérgio Bianchi (2005), dedica hoje à campanha pela legalização da maconha pelo menos 10% dos quase 35 milhões de dólares que investe na América Latina. Soros foi o grande patrocinador da campanha “Regulación Responsable” que viabilizou a aprovação da venda legal do cannabis no Uruguai presidido pelo José Mujica. O mercado uruguaio para o consumo da droga é calculado em 75 milhões de dólares.

A ação de Soros é denunciada pela pesquisadora Itaia Muxaic de Ricart, de San Juan de Porto Rico, que revela que o Mujica teve um encontro com George Soros na ONU, em Nova York, em setembro de 2013. Mujica teria pedido dinheiro para a campanha de "regulação responsável" na televisão do Uruguai. Agora, os investidores uruguaios buscam parceiros para injetar dinheiro no Brasil, em um projeto para exportação de maconha, assim que ela também for descriminalizada por aqui.

Vale sempre lembrar que George Soros é um grande investidor da Monsato –a gigante do agronegócio dos EUA que está barbarizando na Argentina e no Brasil- especializada em sementes geneticamente alteradas que pesquisa também o produto do futuro: a maconha.  A HortaPharm, da Holanda, também faz experiências com sementes de maconha desde 1990. Em 1998, os holandeses assinaram uma parceria com a GW Pharma, da Grã-Bretanha, e em 2003 os britânicos firmaram parceria com a Bayer da Alemanha que, finalmente em 2007, se associou à norte-americana Monsato nas pesquisas.

A principal tática comercial já está traçada. As primeiras lojas autorizadas a vender a maconha para “uso medicinal” no estado do Colorado, nos EUA são umas 37 em todo o estado licenciadas e vendem para pessoas com mais de 21 anos, para qualquer finalidade. As autoridades do Colorado esperam um giro de 580 milhões de dólares por ano, incluindo 67 milhões em taxas e impostos para o estado.

A maconha que vai ser consumida nos EUA deve ser também importada do Uruguai, e no futuro do Brasil, onde as pesquisas indicam existir as melhores áreas para plantio. A maconha deve se transformar em mais um grande produto das exportações brasileiras, melhorando o desempenho da balança comercial. Já não se trata de papo furado de economista doidão, e passa a ser uma séria alternativa de negócios.

A maconha continua ilegal pela lei federal dos EUA. Porém, o governo de Obama tem sinalizado que vai dar aos estados a liberdade para gerir seus próprios estatutos sobre a descriminalização, desde o uso medicinal até o “recreativo”.

E aqui na Patropi, o privatizador FHC, apoiado pelo mega-capitalista selvagem Soros, quebra o tabu do THC:
No Brasil, a campanha pela maconha tem como líder máximo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que estrelou o documentário “Quebrando o Tabu” da Spray Filmes com a  direção de Fernando Grostein Andrade.

Em 2010, o investidor multimilionário Soros, que doou US$ 1 milhão para a campanha do referendum de legalizaçao da maconha na Califórnia, e financia o International Crisis Group e a Revenue Watch, que põem dinheiro nas campanhas eleitorais em vários países do mundo, também entrou no Brasil apoiando o FHC.

O investidor anunciou em artigo publicado no Wall Street Journal, que embora a proposta que estabelece um imposto à comercialização da maconha não seja perfeita, sua aprovação "seria um grande avanço e suas deficiências poderiam ser corrigidas com base na experiência".

"Regular e taxar a maconha poderia, simultaneamente, poupar a quem paga impostos bilhões de dólares em forças de segurança e prisões caras, enquanto poderia prover muitos bilhões de dólares em ganhos anualmente", frisou Soros em sua coluna.

Pouco depois o jornal Sacramento Bee, da Califórnia, noticiou que Soros fez um aporte de um milhão de dólares nas contas da chamada Proposta 19.
Segundo o investidor, um imposto sobre o consumo de cannabis "reduziria a delinquência, a violência e a corrupção associadas aos mercados das drogas, bem como as violações das liberdades civis e dos direitos humanos, que ocorrem quando um grande número de chamados cidadãos respeitosos da lei estão sujeitos à prisão. Em troca, a polícia poderia se concentrar nos crimes graves", afirmou.

Ao mesmo tempo, uma comissão internacional de alto nível afirmou que a guerra às drogas global fracassou, e exortou os países a estudarem medidas como a legalização da maconha que “podem ajudar a enfraquecer o poder do crime organizado”.

A Comissão Global sobre Política de Drogas exortou os líderes internacionais a adotar uma nova proposta para as drogas, substituindo a criminalização rígida das drogas e a prisão dos usuários, e ao mesmo tempo combatendo os cartéis criminosos que controlam o tráfico.

"A guerra global contra as drogas fracassou, com consequências devastadoras para indivíduos e sociedades pelo mundo afora", disse o relatório divulgado pela comissão.
O grupo inclui o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o grego George Papandreou, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, o empresário britânico Richard Branson e o ex-secretário de Estado norte-americano George Schultz.

Entre as recomendações da comissão, que disse ser necessárias com urgência nas políticas nacionais e globais de controle de drogas estão:

– Substituir a criminalização e punição de usuários de drogas, mas que não prejudicam outras pessoas por uma oferta de serviços de saúde e tratamento aos necessitados.
– Incentivar os governos a legalizar a maconha e possivelmente outras drogas ilícitas, "para enfraquecer o poder do crime organizado e proteger a saúde e segurança de seus cidadãos". A comissão disse que a descriminalização não resulta em aumento importante no consumo de drogas.
– Os países que continuam a investir em uma abordagem policial devem focar o crime organizado violento e os traficantes de drogas.
 Outros membros da comissão são o ex-presidente mexicano Ernesto Zedillo, a ex-presidente suíço Ruth Dreifuss, o ex-presidente colombiano Cesar Gaviria, e o ex-presidente do Federal Reserve dos EUA Paul Volcker.

"Gastos imensos com medidas de criminalização e repressão dirigidas contra produtores, traficantes e consumidores de drogas ilegais claramente fracassaram em reduzir efetivamente a oferta ou o consumo", afirma o relatório.
"Vitórias aparentes na eliminação de uma fonte ou organização do tráfico são invalidadas quase imediatamente pelo surgimento de outras fontes e traficantes. Os esforços de repressão voltados contra os consumidores dificultam a tomada de medidas de saúde pública para reduzir o HIV/Aids, as mortes por overdose e outras consequências nocivas do consumo de drogas", afirma o relatório.

O relatório da comissão diz que o dinheiro gasto por governos em esforços para reduzir a oferta de drogas e encarcerar por delitos relacionados às drogas poderia ser gasto com maneiras diferentes de reduzir a demanda de drogas e os malefícios causados pelo abuso delas.


Mas, no final das contas...a maconha faz mal? É um remédio? Os defensores da liberação da maconha estão interessados profundamente no aspecto farmacológico da droga, ou só querem usá-la para recreação? Tema para o próximo comentário.

J.V. São Paulo, 23 de janeiro de 2014.