quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sarte en Araraquara

(Fotos Arquivo FCL/Araraquara).

Sartre en Araraquara,estado de São Paulo.

En el mundo completamente polarizado de 1960 por causa de la Guerra Fría, con el colonialismo francés acorralado por las revueltas de Argelia - lo que a su vez generaba una reacción extremista de la derecha- la Revolución Cubana mostraba la posibilidad real de una alternativa antiimperialista. Fue en este clima que el filósofo Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir y el escritor Jorge Amado, decidieron dedicar un domingo de noviembre a alterar la pacata rutina de la ciudad de Araraquara, a 300 km de São Paulo.

Mientras una parte veía el partido entre el club de La Ferroviaria de la ciudad contra el Santos del todavía  no tan famoso Pelé, ellos participaban en dos encuentros organizados por los estudantes y por la Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de aquélla época, que ahora pertenece a UNESP. Sartre iba a disertar sobre filosofía para un público entre el cual  estaba el hoy ex-presidente, Fernando H. Cardoso, que en ésa época era profesor de la USP, además de Ruth Cardoso, y Antonio Candido.

El existencialista francés estaba por entonces pasando um período de casi tres meses en Brasil para participar en el Congreso Brasileiño de Crítica e Historia Literaria, y aprovechaba para dejar enfriar los rencores políticos provocados por su dura oposición al colonialismo francés en Argélia. Fue entonces que el filósofo Fausto Castilho, que en ésa época era profesor de la FFCL, lo invitó a visitar Araraquara. 

Es que Castilho le había preguntado a Sartre cómo podía conciliar su visión existencialista con el marxismo, posición que defendía en seu livro Crítica de la Razón Dialéctica de aquél mismo año de 1960. Sartre le contestó que "la pregunta es difícil y solo podría responderla personalmente, en una conferencia", según cuenta el propio Castilho, que aprovechó la puerta entreabierta para hacerle la invitación y presentarlo en Araraquara.

La llegada de Sartre agitó toda Araraquara y aterró a la Iglesia y a las fuerzas de la derecha de la ciudad, que armaron una campañaa de intimidación para boicotear al filósofo, lo que sólo sirvió para llamar más aún la atención en favor de la ilustre visita.

Sartre, Simone y Jorge Amado llegaron de São Paulo después de descansar en la estancia de los Mesquita, dueños de O Estado de S. Paulo diario paulistano que todavía apoyaba la Revolución Cubana y agitaba la visita de Sartre, un partidario fervoroso del movimiento revolucionario liderado por Fidel Castro, que aún no se definiera públicamente como comunista.

Todavía, y como para aumentar más aún el terror de los distinguidos señores y señoras de la Família, Deus e a Propriedade, ya estando en Araraquara, Sartre y Simone de Beauvoir se encontraron con estudiantes y trabajadores rurales. Antonio Candido y Fernando H. Cardoso hicieron la traducción de la conferencia en un teatro repleto, y Sartre finalmente respondió con lujo de detalles a la pregunta de Castilho, en la única ocasión en que el existencialista francés habló sobre filosofia durante su largo recorrido por una decena de ciudades brasileñas. Mientras, los hinchas de la Ferroviária llenaban las calles festejando, y Sartre pensava que la ruidosa algarabía era producto de la radicalización del pueblo local que se alegraba con su presencia.

Fonte: http://www.unesp.br/aci/jornal/159/memoria.htm

A versão original deste texto foi publicada no encarte especial  Jean-Paul Sartre do Painel – Boletim informativo da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp Araraquara, em setembro de 2001.

Sartre em Araraquara

O mundo no ano de 1960 estava totalmente polarizado pela Guerra Fria, com o colonialismo francês acuado pelas revoltas na Argelia o que gerava uma reação extrema da direita, enquanto a Revolução Cubana mostrava a possibilidade de uma real alternativa antiimperialista. Foi nesse clima que o filósofo Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e o escritor Jorge Amado, decidiram dedicar um domingo de novembro a alterar a pacata rotina de Araraquara, a 300 km da São Paulo.
Enquanto uma parte  assistia a um jogo entre o clube da Ferroviária da cidade, contra o Santos do ainda não tão famoso Pelé, eles participavam dos eventos organizados pelos estudantes e pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da época, que agora pertence à UNESP. Sartre iria dissertar sobre filosofia para um público entre o qual se contava o  hoje  ex-presidente, Fernando H. Cardoso, na época professor da USP, Ruth Cardoso, e Antonio Candido.

O existencialista francês estava passando um período de quase três meses no Brasil para participar do Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária, e dando um tempo para esfriar os rancores políticos provocados pela sua dura oposição ao colonialismo francês na Argélia. O filósofo Fausto Castilho, ex-docente da FFCL aproveitou para convidá-lo para conhecer Araraquara.
Castilho tinha perguntado a Sartre como era possível conciliar o existencialismo e o marxismo, postura defendida no seu livro Crítica da Razão Dialética daquele mesmo ano de 1960. Sartre respondeu que "a pergunta é difícil e só poderia respondê-la pessoalmente, numa conferência", segundo conta o próprio Castilho, que aproveitou a deixa para fazer o convite  e apresentá-lo em Araraquara.
A chegada de Sartre movimentou Araraquara e apavorou à Igreja Católica e às forças da direita da cidade, que realizaram uma campanha de intimidação contra o filósofo, que o fim só serviu para chamar mais ainda a atenção para a ilustre visita
Sartre, Simone e Jorge Amado chegaram de São Paulo depois de descansar na fazenda dos Mesquita, donos de O Estado de S. Paulo que ainda apoiavam a Revolução Cubana e a visita de Sartre, partidário fervoroso do movimento revolucionário liderado por Fidel Castro, que ainda não definira publicamente sua convicção comunista.
Ainda para aumentar o terror dos distintos senhores y senhoras da turma da Família, Deus e a Propriedade, já em Araraquara, Sartre e Simone de Beauvoir se encontraram com estudantes e trabalhadores rurais. Antonio Candido e Fernando H. Cardoso a fizeram a tradução do evento num teatro estava lotado, e Sartre finalmente respondeu com luxo de detalhes à indagação de Castilho, na única ocasião em que o existencialista francês falou sobre filosofia durante sua longa passagem por uma dezena de cidades brasileiras, Enquanto isso, os torcedores da Ferroviária cobriam as ruas festejando, e Sartre pensava que a algaravia era fruto da radicalização do povo local que se alegrava com a sua presença.

3 comentários:

  1. Vejam esse debate:
    VB
    Sartre em Araraquara, de José Aluysio Reis de Andrade *

    Jean-Paul Sartre participou em Araraquara de dois eventos. De um encontro no antigo Teatro Municipal, com estudantes, intelectuais, líderes sindicais e líderes camponeses (entre estes esteve presente o célebre Jofre, que organizava nos longes da Alta Araraquarense um movimento semelhante ao de Francisco Julião em Pernambuco). Foi um encontro sem pauta definida onde se discutiram várias questões de ordem política estando Sartre sempre atento aos movimentos sociais que estavam ocorrendo no Brasil. Funcionou como um dos intérpretes Fernando Henrique Cardoso, então no início de sua carreira na USP. Mais tarde, no salão que hoje leva o seu nome, pronunciou uma conferência de caráter técnico-teórico. Assitiram-na como convidados professores universitários, prestigiosos intelectuais e personalidades preeminentes. Nessa palestra, proferida de improviso, a partir de umas poucas notas procurou responder a uma questão proposta pelo professor Fausto Castilho de caráter eminentemente filosófico que dizia respeito, simplificando, à compatibilidade teórica entre suas grandes obras, “O Ser e o Nada” e a “Crítica da Razão Dialética”, que acabara de ser publicada, em plena vigência de sua aproximação com o marxismo. A primeira representativa de sua fase eminentemente existencialista, voltada para uma profunda reflexão sobre a subjetividade. A outra voltada para a prática política e social, procurando preservar as idéias de sua obra anterior.
    Fausto Castilho indagou literalmente: “Desde 1943 conhecemos os termos em que o senhor define o filósofo bem como os vínculos que se estabelecem na história, entre ele e sua obra – a História, isto é o limite instransponível ao mesmo tempo para o subjetivo e o objetivo. Contudo, na Questão de Método e mais recentemente ainda na Crítica (da Razão Dialética), o senhor renuncia formalmente ao nome de filósofo. Devemos perguntar se tal declaração não implica para o senhor em uma nova idéia das relações entre o subjetivo e o objetivo? E como dizer-se ideólogo hoje, e, entretanto, não cair nas dificuldades que Marx assinala a propósito de toda ideologia? Em suma, é possível superar a filosofia sem realizá-la?”
    Leiam o livro A conferência de Araraquara, lançado em 1986 pela Editora Unesp em parceria com a Editora Paz e Terra, em cuja preparação e edição colaborei. Uma segunda edição bilíngüe foi publicada pela Editora Unesp, em 2005 (126 páginas,www.editora.unesp.br)
    José Aluysio Reis de Andrade é filósofo e professor aposentado da hoje Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara.


    http://www.unesp.br/aci/debate/010410-josealuysioreisdeandrade.php

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  2. Vejam isso:
    VB
    Sartre em Araraquara, por José Aluysio Reis de Andrade *

    Sartre participou em Araraquara de dois eventos. De um encontro no antigo Teatro Municipal, com estudantes, intelectuais, líderes sindicais e líderes camponeses (entre estes esteve presente o célebre Jofre, que organizava nos longes da Alta Araraquarense um movimento semelhante ao de Francisco Julião em Pernambuco). Foi um encontro sem pauta definida onde se discutiram várias questões de ordem política estando Sartre sempre atento aos movimentos sociais que estavam ocorrendo no Brasil. Funcionou como um dos intérpretes Fernando Henrique Cardoso, então no início de sua carreira na USP. Mais tarde, no salão que hoje leva o seu nome, pronunciou uma conferência de caráter técnico-teórico. Assitiram-na como convidados professores universitários, prestigiosos intelectuais e personalidades preeminentes. Nessa palestra, proferida de improviso, a partir de umas poucas notas procurou responder a uma questão proposta pelo professor Fausto Castilho de caráter eminentemente filosófico que dizia respeito, simplificando, à compatibilidade teórica entre suas grandes obras, “O Ser e o Nada” e a “Crítica da Razão Dialética”, que acabara de ser publicada, em plena vigência de sua aproximação com o marxismo. A primeira representativa de sua fase eminentemente existencialista, voltada para uma profunda reflexão sobre a subjetividade. A outra voltada para a prática política e social, procurando preservar as idéias de sua obra anterior.
    Fausto Castilho indagou literalmente: “Desde 1943 conhecemos os termos em que o senhor define o filósofo bem como os vínculos que se estabelecem na história, entre ele e sua obra – a História, isto é o limite instransponível ao mesmo tempo para o subjetivo e o objetivo. Contudo, na Questão de Método e mais recentemente ainda na Crítica (da Razão Dialética), o senhor renuncia formalmente ao nome de filósofo. Devemos perguntar se tal declaração não implica para o senhor em uma nova idéia das relações entre o subjetivo e o objetivo? E como dizer-se ideólogo hoje, e, entretanto, não cair nas dificuldades que Marx assinala a propósito de toda ideologia? Em suma, é possível superar a filosofia sem realizá-la?”
    Vejam o livro A conferência de Araraquara,1986,Editora Unesp em parceria com a Editora Paz e Terra, em cuja preparação e edição colaborei. Uma segunda edição bilíngüe foi publicada pela Editora Unesp, em 2005 (126 págs,www.editora.unesp.br)
    José Aluysio Reis de Andrade é filósofo e professor aposentado da hoje Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara.
    Fonte: http://www.unesp.br/aci/debate/010410-josealuysioreisdeandrade.php

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  3. Conta José Aluysio Reis de Andrade(em Sartre em Araraquara),que Castilho indagou: “Desde 1943 conhecemos os termos em que o senhor define o filósofo bem como os vínculos que se estabelecem na história, entre ele e sua obra –a História, isto é o limite instransponível ao mesmo tempo para o subjetivo e o objetivo. Contudo, na Questão de Método e mais recentemente ainda na Crítica (da Razão Dialética), o senhor renuncia formalmente ao nome de filósofo. Devemos perguntar se tal declaração não implica em uma nova idéia das relações entre o subjetivo e o objetivo? E como dizer-se ideólogo hoje, e, entretanto, não cair nas dificuldades que Marx assinala a propósito de toda ideologia? Em suma, é possível superar a filosofia sem realizá-la?”

    José Aluysio Reis de Andrade: filósofo e professor aposentado da hoje Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara.Fonte: www.unesp.br/aci/debate/010410-josealuysioreisdeandrade.php

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